Toda quarta-feira, lá pras 17h, uma pequena e barulhenta trupe (que soube que recebe 10 libras por cabeça para ficar 1 hora lá embaixo) faz um protesto na frente da brasemb. O que eles querem? Eu levei 3 semanas para entender, então vou dividir com vocês.
Eles cantam:
“Hey, Brazil, why are you in Haiti? Bring Lovinsky home! Hey, Brazil, why are you in Haiti? We won’t rest until he’s home! “
WTF?!?
Primeiro que, por duas semanas, eu ouvia “bring Lewinsky home” e não entendia o que a Monica tinha a ver com o Haiti. Depois que quem está no Haiti é a ONU, os Estados que fornecem tropas não detém o comando do país. De forma que se o Force Commander é do Exército Brasileiro, ele está subordinado ao Representante do Secretário-Geral da ONU no país – clica! – e as unidades do EB são comandadas por um outro comandante militar. O Force Commander tem um trabalho logístico de administrar as forças de vários países reunidas no Haiti. Como eu sei? Oras bolas, eu fui lá, conheci os caras e eles me explicaram.
Enfim, então quem diabos é Lovinsky? Se vocês googlarem o sujeito (já fiz por vocês, clica) ficarão convencidos de que se trata de um grande defensor dos Direitos Humanos que foi sequestrado por evildoers do mal satânico e que o Brasil, aliado aos EUA ( que nem participa da Minustah) por conveniência política, fingiu que não viu nada.
Na verdade, o sujeito era aliado político do Aristide, lembram? Ele foi eleito Presidente do haiti, derrubado por um golpe, voltou e foi derrubado de novo no meio de uma guerra civil que causou a formação da Minustah, para início de conversa. Do exílio, o Aristide, que não é exatamente um campeão de popularidade, daí ter sido derrubado duas vezes do poder, continua a influenciar a política do país. Como? Por meio de seus aliados, como nosso amigo Lovinsky.
Oras, o Haiti (e mais uma vez, eu fui lá, não ouvi falar) é uma zona de guerra, com grupos políticos e bandidos de todos os gêneros, armados e beligerantes. A estabilidade do país é mantida na base da porrada a maior parte do tempo, porque falta tudo, luz, comida, saneamento, água. Levar a infraestrutura é a prioridade, mas leva tempo, demanda recursos.
E esse joguinho político que canta embaixo da minha janela todas as quartas-feiras é só isso, interesse, vontade de aparecer, o combate à mão do imperialismo, patuscada. De boa, o Lovinsky morreu (acho), ele desapareceu no HAITI, há mais de UM ANO, e era ligado a um político polêmico, com muitos inimigos no país. Isso é que nem um Capitão do BOPE que some no Alemão, na hora em que acharem um ponto de desova, acham ele.
Eu nem vou entrar nos méritos da política haitiana, se ele era do bem ou não. Devia até ser. Mas que eu queria jogar água gelada em cima desses chatos, ah, como eu queria…

4 Comentários
23 Outubro, 2008 às 14:23 pm
Olha só, vc já achou um substituto londrino pro cara do gás! =P
24 Outubro, 2008 às 21:04 pm
Que delícia, parece que estou ouvindo você falar. Desencane, curta. Durante uma greve, quando eu trabalhava no ministério( que durou muito, muito tempo) os manifestantes também tinham uma musiquinha. O que ficou daquele tempo?… A musiquinha. Eles ficam o dia todo ou é só uma hora? Pense bem, você já tem uma trilha sonora da sua passagem por Londres BjZ
24 Novembro, 2008 às 14:21 pm
Ué, não escreve mais aqui, não? Tudo bem que o meu blógue mórreu, mas eu, pelo menos, não tenho nada a dizer…
22 Fevereiro, 2009 às 21:08 pm
bring whisky home!
lembra dessa??