Ontem eu saí para comemorar o aniversário de uma amiga e ela estava num bar. Uma visão deprimente de uma mesa de bar onde quase todo mundo bebe refrigerante a noite toda. A cena se repetia pelas mesas todas. O bar era na 210 n e eu moro na 307 e então pensei: só uma tesourinha, eu vou arriscar. e Bebi.
Bebi bastante que o preço por dois copos ou cinquenta é o mesmo nessa nova lei maluca: R$ 995,00. Na volta pra casa, praticamente sóbrio, que as resistências, para horror dos legisladores, variam, eu estava um pouco apreensivo com a chance de nesse pequeno trecho ter uma blitz. Qual o que! nada de blitz, cheguei em casa sem ser perturbado.
Mas eu tinha um diálogo imaginário pronto para o policial:
PM: Senhor, se incomodaria de soprar aqui?
LF: Sim, me incomodo.
PM: O senhor sabe que a nova legislação prevê que o motorista que se recusa a soprar o bafometro está sujeito às penalidades previstas aos motoristas flagrados alcoolizados?
LF: Sei. E o senhor sabe que a Constituição Federal me garante o direito de não produzir prova contra mim mesmo e o Tratado de São José da Costa Rica, que o Brasil assinou e ratificou, regulamenta este direito FUNDAMENTAL dizendo que eu posso me recusar a me submeter a qualquer tipo de exame invasivo, incluindo bafometros e exames de sangue?
PM: Caguei, o senhor está preso por estar presumidamente alcoolizado e por desacato a ordem da autoridade policial…
Eu acho interessante que deixemos nossos direitos serem violados assim, sem nenhum tipo de reação social a este tipo de arbitrariedade. Os grandes irmãos do norte, que encaixaram o patriot act sem nenhum KY, não estão ajudando a defender os valores de liberdades fundamentais que eles mesmos criaram e nós tampouco estamos devolvendo o exemplo que se espera de uma nação que se livrou do Estado de excessão há tão pouco tempo. As democracias estão se revelando verdadeiras ditaduras. É o admirável mundo novo de 1984 2008, em ação.

2 Comentários
13 Julho, 2008 às 20:15 pm
Finalmente algo está sendo feito para combater a droga que mais mata no mundo. Mata aquele que bebe e, muitas vezes, inocentes que tiveram o azar de cruzar o caminho de algum motorista bebum.
Nenhuma Constituição dá o direito de um indivíduo se tornar uma ameaça à sociedade.
As melhores notícias nos jornais ultimamente são essas estatísticas sobre mortes no trânsito que vêm sendo divulgadas nas últimas semanas.
14 Julho, 2008 às 12:15 pm
Ai, tudo bem, Bruno, mas ninguém vai matar ninguém por causa de uma lata de cerveja ou um copo de vinho! Se alguém sair dirgindo na contra-mão ou acelerando em cima de pedestre nessas circunstâncias, é porque quer barbarizar e a bebida não tem nada com isso. Eu quero poder continuar fazendo queijos e vinhos e tomando minha caipiroska por sentada em bar em paz!
PS: Aquele e-mail sobre o space cake na lista foi DESNECESSÁRIO, Luigi… E eu nem dirigi aquele dia, tá?! HMPF!